Lendo este post do Guilherme Chapiewski e a discussão gerada ao redor dele, resolvi consolidar as idéais que tinha a respeito desse assunto aqui neste espaço.
Infelizmente, é muito comum encontrar empresas que bonificam/promovem seus funcionários baseados apenas em fatores relacionados a “tempo de casa” ou “tempo de experiência” - ou qualquer outro tipo de parâmetro puramente objetivo. Há empresas que procuram avaliar seus funcionários até mesmo baseado na quantidade de linhas de código, ou pontos de função que eram capazes de produzir em um determinado tempo.
A busca por métodos mais objetivos de se avaliar as pessoas tem seus bons motivos, pois são excelentes para justificar - de forma irrefutável - a bonificação e/ou a posição de uma pessoa na hierarquia da empresa. Contudo, penso que há formas também eficientes, mas menos restritivas de se fazer isso.
Porque não Meritocracia?
É engraçado ver como algumas pessoas - por se sentirem “injustiçadas” por sua posição atual em suas respectivas empresas - agem de forma irresponsável (não-profissional) de maneira deliberada, quase como em “protesto” por uma situação indesejável. Este tipo de atitude, ao meu ver, é muito mais prejudicial a própria pessoa em si, do que a “injusta” empresa em questão.

- Jogando com o coração na ponta da chuteira
Um jogador de futebol de um clube pequeno, ganhando um salário irrisório, frente ao que ganham jogadores dos grandes clubes, jamais faria um gol contra em protesto aos baixos salários! Do contrário, ele se esforçaria ao máximo para que pudesse ter seu talento descoberto por um time que melhor pudesse lhe valorizar. Ou seja, ele percebeu que para que fosse, de fato, promovido, ele deveria agir como se já fosse um jogador de um nível acima. Numa empresa que favoreça o crescimento profissional de seus integrantes, não é ela quem promove seus funcionários, mas, sim, eles que promovem a si mesmos através de suas próprias atitudes.
As pessoas recebem de acordo com a sua “raridade” ou importância para a empresa. Ainda que existam vários jogadores que possam desempenhar uma mesma posição - muitas vezes até com uma excelente técnica - poucos jogadores no mundo têm a habilidade do Ronaldinho Gaúcho ou a facilidade de marcar gols do Adriano. Por serem “exemplares raros” isso faz com que sejam recompensados de maneira semelhante.
Neste caso, nenhum tipo de métrica e/ou análise quantitativa foi utilizada para definir o quanto seria justo para aquele jogador; nada foi utilizado além do bom senso. Mesmo tendo sido usados parâmetros, de certa forma, bastante subjetivos, creio que poucos duvidariam deste julgamento. Creio eu, por esses motivos, ser mais importante ter uma percepção correta do valor que o profissional agrega do que ter meios formais de comprová-lo.
Este episodio do podcast Software Engineering Radio fala justamente sobre esse assunto; traz uma visão do que é esperado de pessoas desempenhando cada um dos papéis envolvidos em um time de Desenvolvimento de Software. Tal tipo de reflexão poderia ser muito útil, não só para servir como modelo para analisar o desempenho de cada pessoa em uma organização mas, também, para ajudar pessoas que queiram alinhar seu desenvolvimento pessoal aos objetivos de sua organização.
Disseminar este conhecimento pela empresa, fazendo com que as pessoas saibam o que delas é esperado, poderia contribuir, fortemente, para seu crescimento na empresa e, também, seu desenvolvimento pessoal. Valorizando os profissionais compõem uma equipe, estaremos contribuindo, também, para a criação de um ambiente melhor, onde as pessoas têm uma maior clareza de que sua ascenção na organização e seu sucesso profissional dependem puramente de seu próprio esforço e mérito.






Vitor Pellegrino, Engenheiro de Software graduado pela PUC-Rio. Mangueirense fanático e flamenguista convicto, neste blog escrevo sobre desenvolvimento, metodologias e qualidade de software. Atualmente, faz parte da equipe Webmedia da Globo.com